Você sempre aparece em programas de humor, como o Pânico e o CQC. Como você enxerga essa nova leva de humoristas?
SL – Pois é. Eu até já falei pro pessoal do Pânico, que às vezes eles exageram um pouco. Quanto mais eles exageram, mais eles cutucam as pessoas, que é o meu caso. Outro dia eu estava no lançamento do livro do Tuta, da Jovem Pan, e aquele Christian Pior veio fazer uma graça comigo, e eu, com 75 anos, sou mais engraçado do que ele. Eu me acho mais engraçado do que ele. Quer fazer uma graça? Eu vou até onde eu acho que eu posso ir. Se eles quiserem extrapolar a graça, eu sei extrapolar também.
Pesquisando sua vida na internet, lemos uma história curiosa, na qual o senhor transmitiu um jogo de cuecas. Isso é verdade?
SL – Não foi bem assim. É que estava muito calor e o comentarista era o Pedro Luiz, que já era bem velhinho. Eu brincava muito com ele, como brincam hoje comigo por causa da idade. E o jogo estava rolando, e eu peguei e abaixei a calça, e falei pro Pedro: “Ô Pedro, o seu passarinho ainda canta?”. Assim, do nada. Sabe quando vem na sua cabeça um negócio desses? Eu mostrei o pinto pra ele e falei: o seu passarinho ainda canta? (risos) Não foi o jogo inteiro de cuecas, foi só um momento, em que eu abaixei as calças e a cueca.
Num episódio, você teve de separar uma briga entre o Jorge Kajuru e o lutador Marinho. Como você lida com situações como esta?
SL - Isso está até gravado na internet. Foi aqui na Bandeirantes. O Kajuru chamou o lutador de boxe de covarde. Só na cabeça do Kajuru que se pode chamar um lutador de boxe de covarde. O Marinho partiu pra cima dele e eu fui afastando, pedindo calma pro Marinho. Aí veio palavrão, veio um monte de coisa. Eu não cheguei a apanhar nessa, ainda bem. Eu nunca fui um cara de brigar, sempre fui muito calmo.
Ainda existem muitas silvetes e luizetes?
SL - Não é a maioria é claro, mas muita gente entra no meu twitter, me deixa mensagens, no meu site, no meu programa, e tem muita mulher perguntando, mas nenhuma apaixonada. Quem que vai se apaixonar por um cara de 75 anos?
Você já trabalhou com muitos comentaristas. Tem algum que você considera muito especial? Ou o melhor? E tem algum que você considera o pior, ou muito chato?
SL - Melhor eu não digo, mas quase todos no mesmo nível, sabe. O Juarez, o Pedro, o Flávio Brandão. Todos sempre no mesmo nível de qualidade. O que às vezes você nota, é que quem não é jornalista, como por exemplo, ex-jogadores, eles não tem a tarimba do microfone e ficam meio ressabiados pra perguntar, e você tem que encorajar eles. Eu não gosto muito de comentarista que interrompe a toda hora. Eu acho que o comentarista tem que ter um diálogo com o repórter e com o narrador, mas quem comanda a transmissão é o narrador. Quando o cara começa a querer falar demais, você tem que falar: “ô bonitão, você só fala quando eu chamo ok?” Tem uma porção de coisas pra fazer durante uma narração. Você tem texto pra dar, você tem chamada pra dar, você tem que fazer um monte de coisas, e quando você encontra um momento pra falar, o cara interrompe. Isso fica meio confuso. Quando o cara quer extrapola e aparecer mais do que o jogo, você tem que dar uma travada nele.
Como você lida com seus perfis falsos na internet?
SL - Eu só tive um perfil falso no twitter. E eu falei: “Ô bonitão, você não é eu”. Ele começou a dizer que eu não era eu mesmo, entendeu? Você está mentindo, não sei o que... Ai eu disse: então faz uma pergunta que só você saiba a resposta pra mim, pô. Eu não me incomodo não. Isso não tem problema.
Você tem algum ídolo como jornalista ou narrador?
Eu já trabalhei com tanta gente boa que dizer um nome aqui vai me complicar. Eu comecei com o Raul Tabajara, que vocês nem sabem quem é. Mas ídolo, ídolo mesmo eu não tenho. Hoje em dia. Todo mundo tem um linha. Ou o narrador segue a linha do Galvão, ou ele segue a linha do Luciano do vale, mas eu nunca vi ninguém seguir a minha linha. Eu não estou falando de me imitar, mas sim seguir o mesmo padrão da narração. Você vê que todos os caras da Globo fazem igualzinho o Galvão, até no jeito de mexer a mão. Aqui na Band, os caras fazem igualzinho o Luciano. Agora, o que tem de nego gritando narrando o jogo, parece uma ópera, de tanto que eles gritam. Não é o grito que traz a emoção. Isso pra mim é a vontade de querer crescer mais depressa. E isso só acaba fazendo que o sujeito se afunde mais. Eles ficam gritando e falando o óbvio, que é pior ainda.
Em alguns jogos que você narra, você comenta o que o cara deveria fazer em campo, e normalmente o cara não faz, e você prova que você estava certo. Quando você era juiz, também dava pitacos aos jogadores?
SL - Não. Eu estou tentando passar a minha transmissão não uma adivinhação. Você vê que o cara recua uma bola, sendo que tem dois nego aberto no meio, aí você reclama. É a mesma coisa que o cara que está vendo o jogo está dizendo. Como juiz eu não tinha como fazer isso.
Como o senhor vê as Olimpíadas de 2016 no Rio de Janeiro?
SL - Péssimo. Nós vamos pagar a conta antes mesmo de começar os jogos. Você vê que já foram gastos mais de 180 milhões só para a indicação. Eu acho que todos os países que realizaram as Olimpíadas ou a Copa, com raríssimas exceções, pagam a conta até hoje. Atenas paga a conta, Barcelona paga a conta. Acho que a única que não pagou a conta foi Pequim. Mas a maioria continua com as dívidas. Na Eurocopa de Portugal eles construíram cada baita estádio maravilhoso, mas a conta fica pro povo pagar.
Palmas!: Você já passou por alguma situação engraçada ou constrangedora numa Olimpíada ou Copa do Mundo?
Não, porque sempre vamos em grupo. Na primeira semana você segue todo o mundo e depois você segue sozinho. Agora pra vocês que estão fazendo jornalismo, um conselho bom que eu tenho para dar é estudar o inglês. Quem sabe o inglês consegue se virar em qualquer lugar. Você cobre qualquer Olimpíada, qualquer Copa do mundo, por pior jornalista que você for.
Você tem alguma visão política formada?
SL – Não. Aliás, quando no noticiário eu vi aquela cena do MST derrubando aquele laranjal no interior de SP, eu mandei o pau no twitter: Vagabundos! Não adianta você dar terra pro cara se você não der trator, enxada pro cara trabalhar. Esses caras vivem assim, de sacanagem. Eu não tenho visão política nenhuma, mas eu não posso concordar com o que eles estão fazendo.
Você tem medo de alguma coisa?
SL – Eu tenho medo de ficar muito velho e mijar na sala, cagar na cama, ou seja, começar a dar trabalho para a minha família. Tenho medo de dor, de dentista, também. Tenho medo de hospital. Quando o dentista pega aquele aparelhinho que faz zum-zum-zum... Ai... Ai... Ai.
Ainda rola um futebolzinho com os amigos?
SL – De vez em quando sim. Quer dizer, eu fico parado. Se ela não vem eu também não vou atrás não. (risos)
Você tem algum hobby?
SL – Eu gosto muito de criar orquídeas. Eu não sou um orquidófilo, mas todas as orquídeas diferentes que eu vejo, eu compro e levo pra casa. Aí eu cuido muito bem. Coloco uns remédios especiais, e aí cada vez que ela dá uma flor, eu fotografo e abro uma pasta pra ela no computador, na data que ela brotou a flor. O outro hobby é o twitter, apesar de que ele já não é tanto um hobby, é mais um meio de comunicação. Aliás, a informática é um negócio fabuloso. Quando eu estava na China, falava e via minha mulher, que estava aqui no Brasil. Sem delay, sem nada. Espetacular esse tal de Skype.
De toda a sua vida profissional, o que você acha que aprendeu de mais valioso, e deseja passar para as futuras gerações de jornalismo?
SL – Infelizmente eu acho que vocês escolheram a profissão errada. O mercado ta uma merda. Todas as vezes que vou fazer uma palestra eu falo que o mercado está muito ruim. O mercado é cercado de pessoas, na sua maioria, incompetentes. Tem gente que acha que já sai da faculdade sabendo de tudo, quando na verdade não sabe de nada. Os estagiários daqui são um exemplo. Você quer dar uma lição, ensinar alguma coisa, eles ignoram. Na faculdade não se aprende nada. Só se aprende jornalismo no dia-a-dia. Eu acho que quem ensina na faculdade, a maioria dos professores nunca passou pelo dia-a-dia. Eles têm a teoria de como edita, de como faz, mas ter passado na pele, por exemplo, fazer o negócio ao vivo eles não sabem. O pessoal que ensina jornalismo na faculdade precisa de mais experiência pra poder passar pra vocês que vão sair à luta no trabalho. Falta mais experiência, o pulo do gato, que você só vai aprender no dia-a-dia. Essa é a minha opinião.
Você como narrador esportivo tenta passar uma neutralidade nos seus comentários. Como o senhor consegue lidar com esse lado profissional e o lado apaixonado pelo futebol?
SL – Eu acho que não tem isso, não há paixão. O importante como jornalista é você mostrar, além de sua opinião, ás vezes certa, ás vezes errada, ás vezes contraditória, Ás vezes discutível, é que você tem uma opinião e tem o direito de dá-la, desde que você tenha uma veículo para poder fazer isso. Não tem paixão nenhuma, e eu nunca tive paixão nenhuma. Você pode num momento, por exemplo, quando você vê uma atleta como a Maureen Magi e tudo que ela passou na vida, tudo que ela sofreu, disputar uma olimpíadae ganhar uma medalha de ouro, você torce para que ela ganhe, entendeu? Às vezes não pelo fato dela ser uma brasileira, mas sim pelo fato de você querer que ela, através daquela conquista possa borrar tudo aquilo que de mal aconteceu. Eu torci muito para a Maurren nessas Olimpíadas da China.
Você torce por algum time de futebol?
SL – Eu não tenho time nenhum. Eu torço para pessoas. Quando eu era moleque, vocês devem ter seus times, mas eu nunca tive um time. Os caras dizem que eu torço pro São Paulo, outros dizem que eu sou palmeirense, que minha filha é Corintiana, mas eu nunca torci pra ninguém. Você passa a torcer pelas pessoas, os seus amigos. Eu torço pro Muricy, que é meu amigo, torço pro Estevam Soares, o fato é que hoje eu torço pro Palmeiras, mas não por causa do Palmeiras, e sim para o Muricy Ramalho. Se ele for para a Inter de Milão, eu torço pra Inter, assim como eu torço pro Leonardo, que está no Milan, que é uma pessoa que eu tenho um carinho e uma amizade muito especiais e torço para que ele consiga vencer.
Palmas!: Quem você considera o melhor jogador da atualidade?
SL – O Hernanes há pouco tempo estava muito bem, mas teve uma queda brava. Eu poderia citar hoje em dia, o Diego Souza do Palmeiras, que é quem eu considero o melhor jogador da atualidade. Há um ano e meio atrás eu considerava o Hernanes.
E quem você considera o pior jogador que você já viu?
SL – Ih Rapaz! Nós podemos citar um monte, vamos ficar um tempão aqui. Eu posso citar um monte. Isso depende muito da fase do cara. Tem cara que está passando por uma boa fase e o ara que está passando por uma má fase. Hoje ele joga bem, amanhã ele joga mal. Isso é da profissão.
Você é um narrador diferente. De onde vem toda a excentricidade do Silvio Luiz?
SL - Não sei. Eu não tenho idéia. Eu sou uma pessoa muito alegre. Acho que a vida é tão aborrecida e tem tantos problemas que temos que passar. E eu acho que dando risadas as coisas fluem mais depressa. Vira e mexe eu sacaneio os caras. Acho bom você jogar a tristeza de lado. Às vezes isso não é possível, com relação à problemas de saúde e morte, mas mesmo assim, nós tentamos contrabalancear isso para a vida ficar mais legal.
Você ficou famoso pelos seus bordões. De onde eles surgiram?
SL – Eu uso muito o cotidiano nas minhas narrações. Agora há pouco eu estava fazendo o programa “por dentro da bola” pra Bandsports e tem uma menina que atende o pessoal do twitter, e ela é uma nissei. Outro dia eu estava brincando com ela fora do ar, e disse: “você parece uma lagartixa”. O cotidiano, o natural ajuda muito.A televisão é muito plastificada, é muito enganosa, ela exige que tudo seja muito bonitinho, muito limpo.
O que você pensa sobre o twitter?
SL – Pra falar a verdade, o twitter me dá a impressão de estar em uma reunião de amigos. Ela não tem hora pra começar nem para terminar. Parece que é um clube aberto 24 horas, e as pessoas que freqüentam esse clube não tem horário para freqüentá-lo. Tem cara que vai de manhã, têm outros que chegam de tarde, outros de madrugada, e cada vez que você quer chegar nesse clube pra conversar com alguém, tem alguém pra conversar. É muito melhor que esse tal de MSN, que eu nem sei que troço é esse. O cara que fez o meu site me disse assim: “vou te botar em mais uma fria”. Eu falei: “Qual é?” E ele disse: “Eu vou colocar o twitter no seu site”. E eu perguntei: “como é que é isso?” Tanto que até hoje eu não sei mexer direito. Eu só sei colocar fotos. E até ontem, eu tinha mais de 28 mil seguidores. A impressão que eu tenho do twitter é que muita gente vai lá para xingar, mas eu n em ligo, sabe. Eu não respondo, eu ignoro o cara. Acho que ali é lugar de conversar. Coisas sérias, engraçadas, coisas que você quer desabafar,. E é o único lugar onde você pode desabafar, a não ser com a sua mulher. Se você não quer conversar com sua mulher, você vai pro twitter: “olha, a minha mulher me enche o saco” (risos). Eu não sei nem quem inventou essa porra, mas eu acho muito legal esse tal de twitter.
As pessoas te xingam muito no twitter?
SL – Não, pelo contrário. Porque quando alguém me xinga, eu respondo: a mãe ta boa? (risos). Mamãe vai bem? Aliás, a educação que sua mãe deu é essa? No twitter, você está para fazer amigos, e não inimigos. Quando o cara quer brigar comigo, eu lhe dou logo uma limada e acabou.
Você acaba de ser contratado pela Redetv! Como você encara essa novidade em sua vida: é um desafio ou só mais uma etapa em sua carreira?
SL – É mais uma etapa porque não é mais um desafio não, pô. Depois de cinqüenta e tantos anos eu não vou achar um desafio narrar jogos na Redetv. Eu estava parado há um ano. O pessoal da Band me demitiu por economia, dia 4 de outubro do ano passado, e eles precisavam fazer economias, e precisavam cortar alguém e me cortaram. É uma opção que eles têm. O Vanderlei foi cortado, o Muricy foi cortado, muita gente é cortada. Eu não me incomodo de ter sido cortado, mas o problema foi a maneira que aconteceu, só isso. O Bandsports ficou comigo. Isso demonstra que eles são mais inteligentes que o pessoal da Band (risos).
Não como um grande jogo entre duas das equipes mais tradicionais do Brasil, mas sim pela estranha briga entre Maurício e Obina.
É normal em todo jogo de futebol ter discussões. Até aí é normal.
O problema é quando elas se excedem e viram agressões.
A atitude da diretoria do Palmeiras é exemplar.
Não se pode permanecer com dois jogadores que trocam socos no meio de um jogo.
Esse tipo de atitude dos dirigentes pode coibir novas ações como esta.
Quem acaba pagando o pato é o Muricy, que ficou metade do campeonato sem contar com Pierre, Cleiton Xavier, Maurício Ramos, etc e ainda perdeu dois titulares de sua equipe.
Se o Palmeiras ir para a Libertadores, o time estará no lucro.
O Muricy não encaixou o time. Falta somente uma coisa: FUTEBOL.
Agora é esperar que 2010 seja um ano mais bondoso para os palmeirenses.
O filme “Blow-up - Depois daquele beijo” é polêmico, inovador e cheio de simbolismos
“Blow up – Depois daquele beijo” (1966) é um desses filmes que, ao terminar de assitir, a pessoa não entende o que aconteceu. A falta de respostas para as perguntas mais elementares como, por exemplo, se houve um assassinato ou quem foi o autor do suposto crime ficam em abertos e deixam a resposta para o perplexo espectador. A finalidade desse vazio segue a mesma linha do livro de Machado de Assis “Dom Casmurro”. Ao não revelar a sua audiência o “x” da questão, os grandes gênios das artes querem que os próprios receptores tirem suas conclusões do ocorrido.
O cenário é a Inglaterra dos anos 60, onde acontece a intensa ebulição político/ideológica da época, com o uso de drogas e a quebra de tabus relacionados ao sexo. A produção é inovadora e foi a primeira do mundo a apresentar nu frontal num filme não-erótico direcionado ao grande público. A direção é do italiano Michelangelo Antonioni (1912-2007), cineasta que sempre retratou em suas obras a elite e a burguesia urbana.
O filme gira em torno da vida do controverso e irritadiço fotógrafo Thomas (David Hemmings). Por ser famoso, recebe muitos pedidos de garotas que querem se tornar modelos, as quais sempre ignora. Vive num eterno estado de tédio. Tem tudo na vida, mas ao mesmo tempo aparenta não ter nada. Seu instrumento de trabalho parece ser seu único amigo, com o qual ele obtém dinheiro, que para ele, é capaz de comprar qualquer coisa.
Num dia tedioso, como qualquer outro em sua vida, resolve dar um passeio e leva junto sua máquina de fotografar. Num parque, começa a tirar fotos de um casal, que parece estar se beijando. Quando a mulher percebe o que Thomas está fazendo, resolve repreendê-lo, pedindo para ele parar com a sessão de fotos.
Ao voltar para casa, ele recebe a visita da mesma mulher, Jane (Vanessa Redgrave), que pede as fotos desesperadamente. Ela tenta seduzi-lo, sem obter o que deseja. Para se livrar dela, Thomas lhe dá um rolo de filme qualquer e começa a revelar as fotos do parque.
No processo de revelação, ele percebe algo errado: o homem abraçado à Patrícia, que supostamente estava num momento de amor e alegria, foi morto por um tiro. Ao voltar ao parque, ele encontra o corpo do homem.
Quando chega em casa, todas as fotos que atestam o crime foram roubadas, assim como os negativos. Ele tenta falar com o editor de seu livro Ron (Peter Bowles), que está numa festa. Ron, assim como todos no local, está drogado e não dá importância ao que seu amigo está dizendo.
Na manhã seguinte, Thomas volta ao local do crime, mas não encontra vestígio nenhum, nem mesmo o corpo. No parque, apenas estão alguns jovens mímicos praticando tênis sem o uso de raquetes ou bolinhas. Quando a “bola” cai fora da quadra, Thomas vai pegar. E é com essa cena que o filme termina.
Toda a obra de Michelangelo Antonioni é cheia de simbologias e mensagens subliminares. A participação dos já citados mímicos é uma. Enquanto efetua-se o jogo de tênis, há um momento em que podem ser ouvidos barulhos característicos do esporte. Ela pode significar que quando acreditamos em algo, mesmo que aquilo não seja verdade, isso passa a fazer parte da nossa realidade. E a vida é assim. Estamos cercados de crenças e mitologias, que nos aprimoram como homens, ao mesmo tempo em que nos pode aprisionar num dogma desesperador.
Em relação ao assassinato, nunca saberemos se realmente algo aconteceu, assim como não sabemos se Capitu traiu Bentinho. São nesses finais que se encontram a magia de algumas obras, que se tornam, em razão destas, grandes feitos da humanidade criativa.
O filme foi ganhador dos prêmios do Festival de Cannes (Palma de Ouro), do Sindicato dos Críticos de Cinema da França (Prêmio de Melhor Filme Estrangeiro) e do Sindicato Nacional dos Críticos de Cinema da Itália (Prêmio de Melhor Direção e de Filme Estrangeiro) e foi indicado ao Oscar de Melhor Direção e Melhor Roteiro Original, Melhor Filme Britânico, Melhor Fotografia e Melhor Direção de Arte Britânica (Pela Academia da Inglaterra) e Globo de Ouro de melhor Filme em Língua Estrangeira.
O filme “A Primeira Página” retrata o sacrifício de se conseguir um furo jornalístico
Um humor leve e inocente. Uma história bem escrita e adaptada para as telonas. Atores geniais que marcaram época no cinema. Um diretor/roteirista que conseguiu unir todas essas características num único filme. Não tem como dar errado. Estamos falando de “A Primeira Página” (The Front Page, no original), filme de 1974, escrito e dirigido por Billy Wilder, que conta com a atuação de Jack Lemmon, Walter Matthau, Susan Sarandon, Vincent Gardenia, entre outros.
Para Leonardo Levis, da Revista de Cinema Contracampo, “A Primeira Página era já, naquela época, um filme anacrônico. Na contramão de todas as mudanças no cinema americano que aconteceram entre os anos sessenta e os setenta (entre elas, a fuga de estúdios, a influência do cinema moderno europeu e a presença de diálogos e situações mais “realistas”), Wilder faz de sua obra uma peça de época, em todos os sentidos. As comédias americanas, nesse tempo, já sentiam o efeito do humor corrosivo, sexualizado e despudorado do grupo inglês Monty Python (e vale lembrar que nessa época também começaram a se destacar Woody Allen e Mel Brooks, entre outros), e as comédias paródicas, referenciais ou mesmo existenciais passaram a dominar parte considerável do mercado”.
A história é situada nos anos 20. Hildy Johnson, famoso repórter do “Chicago Examiner” decide largar a sua profissão para casar-se com a mulher que ama, a cantora Peggy Grant (Susan Sarandon), e mudar-se para a Filadélfia. Seu chefe, o carrancudo Walter Burns (Walter Matthau), faz de tudo para segurar seu melhor jornalista, pois no dia seguinte aconteceria a execução de Earl Willians (Austin Pendleton), acusado de assassinar um policial negro.
Após muitas discussões, Hildy Johnson consegue convencer seu chefe. Porém, antes de ir embora, Johnson resolve despedir-se de seus outros colegas repórteres, que estão na sala de imprensa da delegacia jogando pôquer, esperando a pena de morte. Hildy é conhecido por “sempre estar na hora certa e no lugar certo”. E dessa vez não foi diferente.
Hildy Johnson quer se mudar para a Filadélfia, mas seu chefe usa todo o seu poder para impedi-lo
Numa trapalhada do delegado “Honest Pete” Hartman (Vincent Gardenia) e do psiquiatra austríaco Dr. Max J. Eggelhofer (Martin Gabel), o detento pega a arma do xerife, atira contra o psiquiatra e foge da cadeia. Com a recente notícia, todos os jornalistas saem às ruas, em busca de informações do paradeiro do criminoso. Vendo que o repórter que estava o substituindo, o novato Rudy Keppler (Jon Korkes), não sabia o que fazer, Hildy resolve tomar as rédeas da situação e cobrir o caso como uma espécie de despedida e agradecimento ao seu chefe Burns.
Com todos os colegas de imprensa nas ruas, Hildy tem que contar a nova decisão à sua namorada, que atrasaria em algumas horas a viagem deles para a Filadélfia. Na delegacia, mais precisamente na sala dos jornalistas, Johnson encontra o fugitivo. Ele liga para seu chefe e esse pede para segurar o detento, a fim de que ele chegue a tempo de tirar uma foto para a primeira página do dia seguinte (daí o nome do filme).
Nesse meio tempo, aparecem a namorada de Earl Willians, a promíscua Mollie Maloy (Carol Burnett) e todos os jornalistas. Hildy Johnson tenta esconder de todo o jeito o acusado, obtendo a ajuda de Mollie. Quando os repórteres saem, Walter Burns chega com a câmera e tira a tão desejada foto. Nesse momento, Hildy nem lembra mais de sua viagem e está sentado, atento e concentrado na matéria que vai acompanhar a imagem. Ele não se lembra mais nem de sua namorada, que resolve partir sozinha para a Filadélfia.
Os outros repórteres percebem que Hildy está escondendo alguma coisa deles e resolvem interrogá-lo. No final, descobrem o paradeiro de Earl Willians e Johnson e Burns são presos. Na cadeia, eles conhecem um homem de outra cidade que tem um salvo conduto ao condenado. No final, os dois são soltos e Hildy Johnson alcança o trem e vai com a sua noiva em direção à Filadélfia. Pelo menos até a próxima estação...
O filme mostra uma época diferente do Jornalismo que temos nos dias de hoje. Era um Jornalismo marrom, caracterizado pelo sensacionalismo, pela falta de escrúpulos dos jornalistas para conseguir um ‘furo’. As matérias eram explosivas e bombásticas, que tinham como único objetivo vender o maior número possível de jornais. Essa “era” ficou caracterizada pela figura de Willian Randolph Hearst, tão bem retratado no filme “Cidadão Kane”, de Orson Welles. Na “Primeira Página”, o humor predomina, principalmente nas atuações de Jack Lemmon e Walter Matthau, dois grandes atores e amigos muito próximos do diretor Billy Wilder. Como diz Leonardo Levis, “dizer que A Primeira Página é centrada na atuação de Lemmon e Matthau não deixa de ser verdade, e não deixa de estar de acordo com a mesma lógica anacrônica que rege seus princípios, mas é pouco diante do filme. Esta afirmação exige o reconhecimento de que, por trás do timing preciso deles, não existe um diretor disposto a se divertir junto, que, acima de tudo, sabe como funciona cada peça daquele jogo. E, mais, que aquele jogo, baseado em uma peça, fixado em atores, está longe de ser teatro, e só pode ser realizado como cinema”.
Esse filme de 1974 é uma adaptação ao cinema da peça “Jejum de Amor”, de Howard Hawks, que já teve também uma versão para o cinema. A Primeira Página também foi regravada em 1988, dirigida por Ted Kotcheff e com Kathleen Turner no elenco.
Filme “Futebol brasileiro” tenta entender a alegria de um país sofrido
“Futebol brasileiro”, que faz parte da 33ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, é um filme peculiar. Sua grande diferença para as demais obras que tratam do mesmo assunto não é o enredo, nem mesmo a forma que a história foi contada. Mas o que torna a produção, no mínino, curiosa é que ela foi feita e dirigida por uma cineasta japonesa.
O longa-metragem conta a história de três personagens: Gabriel, 6 anos, Roberto, 20, e “Tia da Vai-Vai”, 63.Com estes perfis, a diretora quer entender como um povo, que tinha tudo para ser o mais triste do mundo, é um dos mais alegres e divertidos. Num depoimento para o filme, o jornalista Armando Nogueira diz: “Aqui se fez uma colonização implacável como qualquer outra. Então, você acaba formando três raças tristes com uma grande vocação para melancolia e que resulta num dos povos mais alegres do mundo. E onde é que ele exprime esse sentimento? Dançando e jogando futebol. Jogando futebol e cantando”. Além desse testemunho, o filme conta com a participação dos ex-jogadores Sócrates, Pepe, Lima e Coutinho, do antropologista Roberto Da Matta, do percussionista Oswaldinho da Cuíca e do Mestre Sombra, professor de capoeira para crianças carentes.
Gabriel Willians de Souza mora em São Vicente com sua família. O grande sonho de seu pai é vê-lo, um dia, jogando futebol profissionalmente. O menino é fã de Rodrigo Tabata, ex-camisa 10 do Santos, time do coração de toda a família, e tem como objetivo de vida construir duas casas: uma pequena para a avó e uma grande para a família. Lá, ele pretende fazer um campo de futebol para que possa “brincar de bola” com Ericson, seu irmão menor.
Roberto Teles de Oliveira é um torcedor fanático do São Paulo Futebol Clube. Faz parte da Torcida Organizada Independente, onde sempre freqüenta e tem muitos amigos. Tem uma coleção enorme de camisas do time e CDs da torcida, além de pôsteres e revistas sobre o assunto.
Signey Neves da Rocha, mais conhecida por “Tia da Vai-Vai” ou a “Tia do Pernil” é uma senhora que tem duas paixões na vida: a Escola de Samba Vai-Vai, como seu próprio nome já diz, e o São Paulo, clube de seu coração. Ela é dona de uma barraca que vende lanches de pernil (como seu outro apelido sugere) em frente aos estádios de futebol, principalmente no Morumbi e no Pacaembu. Com seu pequeno empreendimento, ela conseguiu fazer amizade com os torcedores, que conforme ela diz, “se tornaram parte da família” dela.
As histórias se convergem quando acontece o jogo entre São Paulo e Santos, no Morumbi. Com os três personagens presentes, cada um vivendo uma emoção: Gabriel, se preparando para entrar em campo de mãos dadas com Rodrigo Tabata, Roberto, na arquibancada torcendo por seu time, que viria se sagrar Campeão Brasileiro daquele ano, assim como a “Tia da Vai-Vai”, que está na barraca, com o radinho de pilha esperando o final do jogo.
“A coisa mais difícil do mundo é você me ver nervosa ou brava. Estou sempre alegre com tudo”
Signey Neves, a Tia da Vai-Vai
No final, o filme atinge o seu grande objetivo: mostra a realidade de um povo sofrido, que tem no futebol e no samba suas grandes paixões e momentos de lazer. No clássico entre São Paulo e Santos não se mostra o placar da partida, dando a entender que isso não importa, porque outros jogos virão, assim como outros craques, que podem ser o Gabriel ou não. Virão também outros títulos, outros torcedores e uma nova geração de sambistas. Pode haver até uma melhora na condição social da população. Mas o que nunca vai mudar é a alegria de um país chamado Brasil.
O filme foi escolhido para a seleção oficial dos Festivais de São Paulo, Salenton (Itália), West Hollywood (EUA), Oxford (EUA) e Tamworth (Inglaterra), além de ser indicado ao prêmio de melhor filme do Festival de Swansea, no País de Gales. A direção é da japonesa Miki Kuretani, que estréia na direção cinematográfica com “Futebol brasileiro”.
"Não foi o mundo que piorou, as coberturas jornalísticas é que melhoraram muito” (Gilbert Chesterton)
Imagine a seguinte situação: você está calmamente andando pelas ruas de São Paulo quando ouve um estrondo, seguido de uma densa fumaça preta. Você, assustado, tenta descobrir o que está acontecendo e ao virar de costas vê que na mesma rua que você está, a 500 metros, acaba de explodir um carro estacionado. As pessoas entram em pânico. Saem correndo. Você, munido de seu celular com câmera, tira algumas fotos e faz alguns vídeos do carro em chamas e das pessoas feridas enquanto estas são atendidas pelo Corpo de Bombeiros, que prontamente chegou ao lugar. Após se sentir satisfeito com o número de material coletado, vai à primeira lan- house que encontra e posta as fotos e os vídeos na Internet. Parabéns! Você acaba de se tornar um jornalista cidadão!
É sobre esse tema que o livro “Red Kayaks and Hidden Gold: the rise, challenges and value of citizen journalism” (Numa tradução livre: Caiaques vermelhos e ouro escondido: a ascensão, desafios e valor do jornalismo cidadão), de John Kelly, publicado pela Universidade de Oxford, trata. Dividido em seis capítulos, o livro mostra a importância da tecnologia para o crescimento desse novo modo de se fazer jornalismo, os seus antecedentes, sua definição, motivação, benefícios, críticas, como a idéia inicial está sendo modificada, além de algumas previsões para o seu futuro.
Conforme o livro, a confiança das pessoas em relação ao jornalismo tradicional caiu significativamente. Com isso, o público começou a procurar e necessitar de fontes alternativas de informação. O útil se uniu ao desejável e assim nasceu o fenômeno que mais causa polêmica entre os estudiosos do jornalismo: a sua realização por pessoas normais, sem conhecimento de técnicas e regras.
Alguns acontecimentos históricos contribuíram para isso: o 11 de setembro, o tsunami na Ásia no dia 26 de dezembro de 2004, o atentado terrorista no metrô da Inglaterra, o furacão Katrina, entre outros. As pessoas passaram a mandar vídeos e fotos para os grandes conglomerados de mídia que necessitavam destes para poder cobrir essas catástrofes.
Além disso, surgiram alguns aplicativos na internet que tornaram possível essa “proliferação” do jornalismo: sites como o Youtube, ‘Ohmynews!’ na Coréia, a Wikipédia, e o Twitter mais recentemente, fizeram dos antigos espectadores da notícia os protagonistas da informação. Mas o que contribuiu significativamente para este recente “ciberfenômeno” é a blogosfera, que agrega cada vez mais adeptos ao redor do mundo.
Porém nem só de flores vive o jornalismo cidadão. Será que as pessoas que não estudaram para serem jornalistas têm o conhecimento técnico suficiente para produzir e apurar fatos e transformá-los em notícia? Será que o jornalista cidadão sabe das implicâncias ideológicas, políticas e até jurídicas que ele pode enfrentar? Ele tem conhecimento analítico suficientemente amplo para virar um difusor de informação? Essas são algumas das dúvidas que o livro nos traz sobre o assunto.
Certo ou não, a democratização da notícia está aí. Ninguém pode negar. O que nos resta é esperar para ver o que vai acontecer. Aguardem as cenas dos próximos capítulos...
O Jornalismo ambiental é a área que mais deve se expandir nos próximos anos
Botar o pé na lama. É isso que um jornalista ambiental precisa para cumprir perfeitamente suas tarefas. Essa é uma das áreas que mais cresce dentro da mídia, principalmente na internet, através dos blogs e ONGs, impulsionada pelas recentes catástrofes ambientais e pela importância estratégica que a Amazônia adquiriu nos últimos anos. Se você, futuro jornalista, gosta do “cheiro do mato”, acaba de encontrar sua mais nova editoria: mostrar ao mundo o que o Meio Ambiente (ainda) tem a nos oferecer.
Vilmar Berna, ganhador do “Prêmio Global 500 da ONU para o Meio Ambiente” e “Prêmio Verde das Américas”, superintendente executivo da REBIA (Rede Brasileira de Informação Ambiental) e editor da Revista e do Portal do Meio Ambiente, acredita que a área tem grande importância para a humanidade: “Sem informações socioambientais para a sustentabilidade solidária dificilmente a sociedade será capaz de fazer escolhas melhores rumo a um mundo mais fraterno, ecológico, pacífico e solidário”.
Muitas vezes, a escolha pelo Jornalismo ambiental não é voluntária. Foi o que aconteceu com o editor do site “Ambiente Já”, Carlos Matsubara: “Cheguei ao jornalismo ambiental por acaso, ao buscar um estágio em uma editora. Passado algum tempo, ela lançou um projeto de um site de noticias ambientais, que posteriormente virou uma agência de notícias especializadas, o ‘Ambiente Já’. Como eu estava por lá, acabei entrando no projeto. Só que com o passar do tempo fui gostando cada vez mais do que fazia e o tema acabou me seduzindo completamente. Vi que nas pautas tinha chance de entrevistar políticos, cientistas, ambientalistas, gente do povo e empresários”. Já a jornalista Karina Miotto tem uma história completamente diferente: “Um dia, tive um ‘clique’: quero ser jornalista ambiental. Mandei e-mails para várias revistas, mas ninguém me respondia. Resolvi insistir com Marcos de Sá Correa, do site Eco. Ele me avisou que iria vir para São Paulo e eu fui ao aeroporto com uma plaquinha, atrás de um emprego. No final, consegui”.
O Jornalismo Ambiental nem sempre é a primeira escolha dos estudantes, que normalmente preferem outrasáreas
A profissão exige muita vontade e coragem. Para Martha San Juan, da revista Horizonte Geográfico, “nós, jornalistas, sofremos interferências de todos os lados. Fazer um bom Jornalismo Ambiental é algo muito complexo. Mas ao fazer, estamos contribuindo para a preservação do Meio Ambiente”. Para Matsubara, “lidamos, escrevemos e, sobretudo, aprendemos sobre o que considero ser o futuro. Aprendi que há outras maneiras de se enxergar o mundo, outro jeito de encarar a vida. Escrever sobre o assunto significa lidar com temas como poluição industrial, resíduos, saúde, crimes ambientais, prevenção, saneamento, enfim, com tudo que se refere à vida das pessoas”. Ulisses Capozzoli, da Revista Scientific American, questiona as atuais diretrizes da editoria: “Estamos muito geocêntricos. Tudo está voltado para o planeta Terra. Desconsideramos a importância das ciências, como a Física, na natureza”.
Karina Miotto destaca a importância da Amazônia: “Existem 25 milhões de pessoas morando na região. Ela representa 58% de toda a extensão territorial do Brasil e controla o ciclo de chuvas de todo o continente americano”. Mas para ela, o mais importante é a população local: “As crianças são especiais. São muito inocentes e viram logo seus amigos. Não tem preço conversar com as pessoas. São muito simples. Elas não precisam de cartão de crédito ou a última calça jeans da moda. São felizes com o pouco que têm”.
Matsubara atenta para outro problema: a falta de espaço para o assunto na grande mídia e o exagero nas reportagens. “As grandes coberturas sempre têm ênfase nas catástrofes ecológicas com visões sensacionalistas. É o que comumente vemos na imprensa quando ela fala de Meio Ambiente. Muitas vezes essa resolve atacar o problema enxergando apenas o pobre cidadão, informando-o de que precisa economizar no chuveiro e na lavagem dos pratos, mas esquece de cobrar as autoridades com relação a atitudes que melhorem a vida das pessoas. É muito revoltante quando a imprensa fica ‘cega’ nas vezes que alguma grande empresa ou anunciante é flagrado cometendo infrações ambientais. Essa visão ‘caolha’ é o que mais me incomoda. Ainda há muita hipocrisia. Vamos ter a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016 no Brasil. Fala-se em muitos aspectos, mas quase não se menciona a questão do licenciamento ambiental para as obras. A mídia e o governo apenas se lembrarão disso às vésperas dos eventos. Com isso, volta àquela velha ladainha de que o licenciamento ambiental é um entrave ao desenvolvimento econômico”. E completa: “Apesar de constatar um avanço na consciência ambiental, muito ainda é apenas discurso da boca para fora. Enquanto não mexe no bolso, está tudo bem e todos amam a Natureza. Mas não pensam duas vezes antes de derrubar uma floresta para criar gado na Amazônia”.
Sobre a profissão, Vilmar Berna acredita que “antes de pensar em si próprio, no quanto pode vir a ganhar ou deixar de ganhar com o Jornalismo ambiental, o estudante que quer seguir na área deve pensar como ele pode ser útil à sociedade, no quanto pode se sentir feliz e realizado através do seu ofício. O resto será apenas conseqüência”. Carlos Matsubara tem o mesmo pensamento: “o jornalista acaba sempre aprendendo na prática e talvez seja esta forma o mais indicado, ‘quebrando a cara’, conversando com fontes e entrevistando gente da área. O importante é estar a fim, querer aprender e gostar do que estiver fazendo. O dinheiro e o reconhecimento vêm depois”. Para Karina Mioto, “o jornalista que optar por essa área vai estar um passo a frente dos demais. Não há muita gente especializada”.
Com espaço na grande mídia ou não, o jornalismo ambiental merece destaque. Os recentes acontecimentos no mundo mostram que teremos dias difíceis. A tendência é que aumentem os problemas envolvendo o Meio Ambiente. Para tanto, o futuro jornalista deve estar preparado para grandes coberturas na área. Pois, como diria Francis Bacon, “para ser comandada, a natureza deve ser obedecida”.
Quando a última árvore tiver caído, Quando o último rio tiver secado, Quando o último peixe for pescado, O homem vai entender que dinheiro não se come.
Newton Moreno alia Nelson Rodrigues, Gilberto Freyre e recordações
Imaginem uma mistura da obra “Álbum de Família” de Nelson Rodrigues com o ensaio sociológico de Gilberto Freyre, “Casa-Grande & Senzala”, somado com as lembranças familiares de um grupo de atores. Foi isso que o autor e diretor Newton Moreno fez na peça “Memória da Cana” encenada pelo grupo “Os Fofos”. Para o ator Carlos Ataíde, que faz o papel de Edmundo e Nonô, “a peça aproxima geograficamente a obra de Nelson [Rodrigues] com as suas origens. O objetivo de todo o espetáculo é ser extremamente pernambucano, um texto nordestino com sotaque forte e característico”.
A história é de uma família que vive no interior de Pernambuco, numa fazenda de engenho de açúcar. O patriarca, Jonas (Marcelo Andrade), é apaixonado pela sua filha Glória (Viviane Madureira) e ela por ele. Para tentar satisfazer esse desejo ele conta com a ajuda de sua cunhada Rute (Kátia Daher) que lhe traz adolescentes virgens. A mãe, D. Senhorinha (Luciana Lyra), assiste tudo e se mantém indiferente. Os conflitos surgem quando os filhos retornam para casa: Glória, expulsa do colégio interno por se envolver com outra garota; Guilherme (Paulo de Pontes), que também é apaixonado pela irmã, castra-se e abandona o seminário; e Edmundo que desiste de seu recente casamento e volta à sua casa por nutrir uma paixão velada pela sua mãe.
O cenário inicial mostra a Casa-Grande da Fazenda. Os seis quartos são separados por véus e no centro há uma extensa mesa de jantar. Cada aposento tem o seu cheiro característico, que vai desde naftalinas de D. Senhorinha até a loção pós-barba de Jonas. O público fica dentro dos quartos e consegue visualizar apenas o ponto de vista da história contada por um personagem. Sobre o assunto, Carlos Ataíde comenta: “Os cheiros, os barulhos repentinos, todos os elementos da encenação são tipos de narrativa que mexem com o público. Há muita coisa acontecendo simultaneamente na peça”.
Antes de começar a encenar, o projeto de preparação foi longo e trabalhoso. Conforme a atriz Viviane Madureira, “começamos fazendo cenas de nossas memórias familiares. Eram narrativas escritas e visuais, com o objetivo de resgatar as lembranças do passado. Newton [Moreno] pediu que trouxéssemos algumas recordações da nossa infância. Algumas tristes, outras alegres, quaisquer que fossem. Com esse material escrevemos pequenos monólogos que posteriormente foram escolhidos por ele para se encaixar no início da peça”. E continua: “Após esse primeiro momento, fomos até Recife, onde chegamos a ensaiar numa verdadeira Casa-Grande, que hoje é usada comohospedaria”.
Sobre a importância de Nelson Rodrigues na dramaturgia brasileira, Ataíde é um admirador da obra do escritor: “Nelson é muito presente, não só no teatro, mas no cotidiano de nossas vidas, na nossa relação com a família. Seu texto trata de assuntos universais e isso o torna contemporâneo. Mesmo na nossa peça, que é ambientada sonora e visualmente no Nordeste, conseguimos atingir todos os níveis sociais”. Viviane Madureira tem a mesma opinião: “Nelson é fantástico. Ele consegue falar coisas com o máximo de significados com o menor número de palavras possível. Sua obra é profunda e nos dá muita informação em poucas linhas. É narrativo, dramático, lírico, tudo num mesmo texto”. E complementa: “Nelson é atemporal. Muitos dizem que ele é obsceno, mas eu não concordo. Ele mostra o que acontece, os reais problemas familiares. Falar da família como ele, pode ser doloroso, cruel, chato, mas é a realidade. Ele é acima de tudo corajoso, pois tratou de temas que põe em xeque uma das instituições mais importantes do mundo, que é a família”.
Os dois atores têm uma admiração muito grande pelo trabalho e obra do escritor Nelson Rodrigues
Os dois atores percebem o mesmo comportamento da platéia após o término do espetáculo. “Nas outras peças que fazemos, o pessoal costuma ficar mais tempo para conversar conosco, nos dar parabéns. Nessa peça acontece o contrário. Ao acabar, todos se levantam e vão embora meio confusos e perturbados. Sinto que eles não se sentem à vontade”, diz Ataíde. “É como se caísse o véu da suposta realidade em que as pessoas viviam. Elas se sentem expostas, desprotegidas, identificadas com a problemática da encenação, afinal, todos têm problemas na família. Muitas vezes não tão claros como os da peça, mas mesmo assim inquietantes”, completa o ator. Para Viviane, “talvez esse foi o modo que elas encontraram para não pensar e nem mexer nos seus problemas. É através da indiferença que elas esquecem o que acabaram de assistir”. Mas isso não se restringe somente à platéia. Conforme a atriz, “durante o processo eu senti a mesma coisa. Muitas vezes saia dos ensaios irritada, e ao chegar em casa, não conseguia dormir”.
O grupo “Os Fofos” surgiu em 1992, no curso de Artes Cênicas da Unicamp, com atividades de pesquisa direcionadas ao riso e às raízes do cômico dentro da grade curricular da faculdade. No ano 2000, se reencontraram para a montagem de “Deus Sabia de Tudo e Não Fez Nada”, de Newton Moreno. O grupo conta com 20 integrantes entre atores, cenógrafos, escritores e técnicos.
A peça “Memória da Cana” está em cartaz de Sexta a Domingo no “Espaço Dos Fofos” na Rua Adoniran Barbosa, 151, Bela Vista. Para maiores informações, Tel.: 3101-6640. A peça fica em cartaz até o dia 2 de Novembro.
Seu time está mal? Está precisando de contratações?
Então agora, você poderá sugerir ao seu dirigente jogadores bons e baratos!
A cada dia, vão ser postados os jogadores que tem o seu vinculo terminando em dezembro desse ano, divididos pelos times! E depois, darei destaque a um jogador específico, aquele que considero o melhor para ser contratado.
Todos os dados foram retirados da revista Placar.
Hoje, vamos de Corinthians, Coritiba, Cruzeiro, Flamengo e Fluminense:
Corinthians Alessandro (Lat-Direito) [31/12/2009]
Balbuena (Lat-Direito) [31/12/2009]
Ronaldo (Atacante) [31/12/2009]
Destaque: Como Ronaldo não vai sair, meu destaque vai para o lateral Alessandro. Teve um primeiro semestre primoroso. No segundo, anda meio sumido, mas é uma boa aposta.
Coritiba Jaílton (Volante) [15/12/2009 - Emprestado pelo Ipatinga]
Marcelinho Paraíba (Meia) [31/12/2009]
Carlinhos Paraíba (Meia) [12/3/2010]
Bruno Batata (Atacante) [15/12/2009]
Thiago Gentil (Atacante) [31/12/2009]
Destaque: Os paraíbas já estão contratados pelo São Paulo. Justo eles que são os destaques do time! Cruzeiro Fábio (Goleiro) [31/12/2009]
Andrey (Goleiro) [31/12/2009]
Jancarlos (Lat-Direito) [31/12/2009]
Marquinhos Paraná (Volante) [31/12/2009]
Henrique (Volante) [31/12/2009 - Emprestado pelo Jubilo Iwata-JAP]
Soares (Atacante) [31/12/2009]
Destaque: O goleiro Fábio é muito bom, assim como o atacante Soares e Marquinhos Paraná. Mas meu destaque vai para o volante Henrique, que tem um bom posicionamento e sabe chutar de fora da área.
Flamengo Ronaldo Angelim (Zagueiro) [31/12/2009]
Éverton (Meia) [31/12/2009]
Zé Roberto (Meia) [31/12/2009]
Everton Silva (Lat-Direito) [31/12/2009]
Destaque: Zé Roberto vem fazendo ao lado de Petkovic um ótimo campeonato. Apesar de não ser aquele jogador constante, quem sabe dá certo no seu time?
Fluminense Edcarlos (Zagueiro) [31/12/2009]